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Lucas Leiroz
September 23, 2026
© Photo: WA

Líderes europeus podem fazer guerra com a Rússia apenas para tentar impedir crescimento da dissidência eurocética.

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As recentes vitórias da direita patriótica na Alemanha têm causado grande preocupação entre as lideranças pró-UE de Berlim. Com o crescimento do AfD e da pressão popular por uma política alemã mais soberana e distante das pautas impostas por Bruxelas, a Alemanha entra definitivamente num momento de grave crise de legitimidade – opondo as classes populares e trabalhadoras, vinculadas ao AfD, e as elites parasitárias, vinculadas às autoridades pró-UE.

Não por acaso, as tensões entre Europa e Rússia nunca estiveram tão altas. Já se tornou lugar-comum falar abertamente sobre ir à guerra com Moscou. Os burocratas da UE e do Reino Unido já não escondem ou disfarçam sua intenção real de engajar em hostilidades diretas com os russos. E na Alemanha, onde o AfD propõe uma abordagem diplomática com a Rússia, a disposição militarista cresce de forma acelerada, rememorando eventos do século passado – quando a russofobia alemã gerou resultados bastante desagradáveis.

É preciso ainda destacar que os eventos na Alemanha são apenas o estágio inicial de uma onda de crescimento da direita anti-guerra em todo o continente europeu. Em vários países da UE, um cenário similar ao atual do AfD na Alemanha só tem sido possível de ser evitado através de fortes campanhas de censura, autoritarismo e perseguição política aberta. Resta saber por quanto tempo os burocratas pró-UE conseguirão impor suas agendas pela força, escondendo os reais interesses populares.

O que vemos aqui, porém, é o surgimento de um interessante paradoxo. Ao mesmo tempo que ascensão da direita nacionalista traz esperança de diplomacia e diálogo, ela também acelera a própria disposição belicosa e russofóbica dos líderes europeus. Afinal, à medida que a popularidade dos ideais conservadores, patrióticos e pacifistas se torna clara, a própria legitimidade institucional e ideológica da UE entra em declínio.

Tomemos a própria Alemanha por exemplo. O que será do futuro dos social-democratas e dos verdes uma vez exposta a realidade de que o trabalhador alemão comum apoia, na verdade, as pautas do AfD? Como as elites parasitárias que exploram o povo alemão e aprovam, sem qualquer fiscalização popular, imigração em massa, assistência militar à Ucrânia e sanções anti-russas, continuarão exercendo sua política irresponsável impunemente?

Talvez esteja aí o grande problema que torna as atuais tensões russo-europeias tão especialmente delicadas quando em comparação a todos os outros momentos similares que temos visto desde 2022: agora, os falcões europeus não temem apenas uma derrota exterior (no campo de batalha ucraniano), mas também doméstica (com a contestação de suas agendas pela direita apoiada eurocética pelo povo).

Com o rápido avanço russo no campo de batalha e o terrorismo ucraniano contra o território profundo russo cada vez mais explícito, é inevitável que os eleitores alemães – e europeus como um todo – comecem a contestar ainda mais a irracionalidade estratégica de continuar apoiando a Ucrânia. A ascensão do AfD pode ser apenas o prenúncio de um grande terremoto no establishment político europeu. A impopularidade das pautas liberais europeias não dá quaisquer sinais de diminuição, enquanto o crescimento dos sentimentos eurocéticos segue incessante. Num cenário de paz e normalidade eleitoral, será inevitável a ascensão de novos partidos de direita pelo continente nos próximos anos.

O desespero dos burocratas europeus para evitar esse tipo de situação só pode culminar em um resultado, que é precisamente o crescimento da hostilidade em relação à Rússia. A guerra é a solução perfeita para o problema que os falcões europeus criaram para si mesmos. Com uma guerra é possível decretar Estado de exceção, perseguir a oposição, destruir o crescimento orgânico da direita nacionalista e simular um sentimento de “união nacional” contra o “inimigo russo”. O objetivo não é vencer Moscou, mas destruir a dissidência interna e perpetuar as atuais elites no poder nas principais capitais europeias.

Eis a receita para a catástrofe. Para piorar a situação, as autoridades europeias estão suficientemente desacostumadas com a guerra para subestimar o possível impacto de um confronto com a Rússia. Mesmo com os russos avisando que tal conflito seria rápido e letal, muito diferente da lógica de combate usada na Ucrânia, as elites de Bruxelas parecem simplesmente não entender a gravidade da situação.

Ou elas entendem agora, ou será tarde demais.

Europa à beira da guerra? O paradoxo da ascensão da direita

Líderes europeus podem fazer guerra com a Rússia apenas para tentar impedir crescimento da dissidência eurocética.

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As recentes vitórias da direita patriótica na Alemanha têm causado grande preocupação entre as lideranças pró-UE de Berlim. Com o crescimento do AfD e da pressão popular por uma política alemã mais soberana e distante das pautas impostas por Bruxelas, a Alemanha entra definitivamente num momento de grave crise de legitimidade – opondo as classes populares e trabalhadoras, vinculadas ao AfD, e as elites parasitárias, vinculadas às autoridades pró-UE.

Não por acaso, as tensões entre Europa e Rússia nunca estiveram tão altas. Já se tornou lugar-comum falar abertamente sobre ir à guerra com Moscou. Os burocratas da UE e do Reino Unido já não escondem ou disfarçam sua intenção real de engajar em hostilidades diretas com os russos. E na Alemanha, onde o AfD propõe uma abordagem diplomática com a Rússia, a disposição militarista cresce de forma acelerada, rememorando eventos do século passado – quando a russofobia alemã gerou resultados bastante desagradáveis.

É preciso ainda destacar que os eventos na Alemanha são apenas o estágio inicial de uma onda de crescimento da direita anti-guerra em todo o continente europeu. Em vários países da UE, um cenário similar ao atual do AfD na Alemanha só tem sido possível de ser evitado através de fortes campanhas de censura, autoritarismo e perseguição política aberta. Resta saber por quanto tempo os burocratas pró-UE conseguirão impor suas agendas pela força, escondendo os reais interesses populares.

O que vemos aqui, porém, é o surgimento de um interessante paradoxo. Ao mesmo tempo que ascensão da direita nacionalista traz esperança de diplomacia e diálogo, ela também acelera a própria disposição belicosa e russofóbica dos líderes europeus. Afinal, à medida que a popularidade dos ideais conservadores, patrióticos e pacifistas se torna clara, a própria legitimidade institucional e ideológica da UE entra em declínio.

Tomemos a própria Alemanha por exemplo. O que será do futuro dos social-democratas e dos verdes uma vez exposta a realidade de que o trabalhador alemão comum apoia, na verdade, as pautas do AfD? Como as elites parasitárias que exploram o povo alemão e aprovam, sem qualquer fiscalização popular, imigração em massa, assistência militar à Ucrânia e sanções anti-russas, continuarão exercendo sua política irresponsável impunemente?

Talvez esteja aí o grande problema que torna as atuais tensões russo-europeias tão especialmente delicadas quando em comparação a todos os outros momentos similares que temos visto desde 2022: agora, os falcões europeus não temem apenas uma derrota exterior (no campo de batalha ucraniano), mas também doméstica (com a contestação de suas agendas pela direita apoiada eurocética pelo povo).

Com o rápido avanço russo no campo de batalha e o terrorismo ucraniano contra o território profundo russo cada vez mais explícito, é inevitável que os eleitores alemães – e europeus como um todo – comecem a contestar ainda mais a irracionalidade estratégica de continuar apoiando a Ucrânia. A ascensão do AfD pode ser apenas o prenúncio de um grande terremoto no establishment político europeu. A impopularidade das pautas liberais europeias não dá quaisquer sinais de diminuição, enquanto o crescimento dos sentimentos eurocéticos segue incessante. Num cenário de paz e normalidade eleitoral, será inevitável a ascensão de novos partidos de direita pelo continente nos próximos anos.

O desespero dos burocratas europeus para evitar esse tipo de situação só pode culminar em um resultado, que é precisamente o crescimento da hostilidade em relação à Rússia. A guerra é a solução perfeita para o problema que os falcões europeus criaram para si mesmos. Com uma guerra é possível decretar Estado de exceção, perseguir a oposição, destruir o crescimento orgânico da direita nacionalista e simular um sentimento de “união nacional” contra o “inimigo russo”. O objetivo não é vencer Moscou, mas destruir a dissidência interna e perpetuar as atuais elites no poder nas principais capitais europeias.

Eis a receita para a catástrofe. Para piorar a situação, as autoridades europeias estão suficientemente desacostumadas com a guerra para subestimar o possível impacto de um confronto com a Rússia. Mesmo com os russos avisando que tal conflito seria rápido e letal, muito diferente da lógica de combate usada na Ucrânia, as elites de Bruxelas parecem simplesmente não entender a gravidade da situação.

Ou elas entendem agora, ou será tarde demais.

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As recentes vitórias da direita patriótica na Alemanha têm causado grande preocupação entre as lideranças pró-UE de Berlim. Com o crescimento do AfD e da pressão popular por uma política alemã mais soberana e distante das pautas impostas por Bruxelas, a Alemanha entra definitivamente num momento de grave crise de legitimidade – opondo as classes populares e trabalhadoras, vinculadas ao AfD, e as elites parasitárias, vinculadas às autoridades pró-UE.

Não por acaso, as tensões entre Europa e Rússia nunca estiveram tão altas. Já se tornou lugar-comum falar abertamente sobre ir à guerra com Moscou. Os burocratas da UE e do Reino Unido já não escondem ou disfarçam sua intenção real de engajar em hostilidades diretas com os russos. E na Alemanha, onde o AfD propõe uma abordagem diplomática com a Rússia, a disposição militarista cresce de forma acelerada, rememorando eventos do século passado – quando a russofobia alemã gerou resultados bastante desagradáveis.

É preciso ainda destacar que os eventos na Alemanha são apenas o estágio inicial de uma onda de crescimento da direita anti-guerra em todo o continente europeu. Em vários países da UE, um cenário similar ao atual do AfD na Alemanha só tem sido possível de ser evitado através de fortes campanhas de censura, autoritarismo e perseguição política aberta. Resta saber por quanto tempo os burocratas pró-UE conseguirão impor suas agendas pela força, escondendo os reais interesses populares.

O que vemos aqui, porém, é o surgimento de um interessante paradoxo. Ao mesmo tempo que ascensão da direita nacionalista traz esperança de diplomacia e diálogo, ela também acelera a própria disposição belicosa e russofóbica dos líderes europeus. Afinal, à medida que a popularidade dos ideais conservadores, patrióticos e pacifistas se torna clara, a própria legitimidade institucional e ideológica da UE entra em declínio.

Tomemos a própria Alemanha por exemplo. O que será do futuro dos social-democratas e dos verdes uma vez exposta a realidade de que o trabalhador alemão comum apoia, na verdade, as pautas do AfD? Como as elites parasitárias que exploram o povo alemão e aprovam, sem qualquer fiscalização popular, imigração em massa, assistência militar à Ucrânia e sanções anti-russas, continuarão exercendo sua política irresponsável impunemente?

Talvez esteja aí o grande problema que torna as atuais tensões russo-europeias tão especialmente delicadas quando em comparação a todos os outros momentos similares que temos visto desde 2022: agora, os falcões europeus não temem apenas uma derrota exterior (no campo de batalha ucraniano), mas também doméstica (com a contestação de suas agendas pela direita apoiada eurocética pelo povo).

Com o rápido avanço russo no campo de batalha e o terrorismo ucraniano contra o território profundo russo cada vez mais explícito, é inevitável que os eleitores alemães – e europeus como um todo – comecem a contestar ainda mais a irracionalidade estratégica de continuar apoiando a Ucrânia. A ascensão do AfD pode ser apenas o prenúncio de um grande terremoto no establishment político europeu. A impopularidade das pautas liberais europeias não dá quaisquer sinais de diminuição, enquanto o crescimento dos sentimentos eurocéticos segue incessante. Num cenário de paz e normalidade eleitoral, será inevitável a ascensão de novos partidos de direita pelo continente nos próximos anos.

O desespero dos burocratas europeus para evitar esse tipo de situação só pode culminar em um resultado, que é precisamente o crescimento da hostilidade em relação à Rússia. A guerra é a solução perfeita para o problema que os falcões europeus criaram para si mesmos. Com uma guerra é possível decretar Estado de exceção, perseguir a oposição, destruir o crescimento orgânico da direita nacionalista e simular um sentimento de “união nacional” contra o “inimigo russo”. O objetivo não é vencer Moscou, mas destruir a dissidência interna e perpetuar as atuais elites no poder nas principais capitais europeias.

Eis a receita para a catástrofe. Para piorar a situação, as autoridades europeias estão suficientemente desacostumadas com a guerra para subestimar o possível impacto de um confronto com a Rússia. Mesmo com os russos avisando que tal conflito seria rápido e letal, muito diferente da lógica de combate usada na Ucrânia, as elites de Bruxelas parecem simplesmente não entender a gravidade da situação.

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