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Eduardo Vasco
September 25, 2026
© Photo: Public domain

Flávio Bolsonaro promete a banqueiros o que o pai não fez: privatizações, ajuste fiscal e entrada na OCDE. Mas terá que trair seu eleitorado.

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Quando presidiu o Brasil, Jair Bolsonaro colocou em prática muito menos do que os banqueiros e parasitas financeiros que inseriram Paulo Guedes em seu governo imaginavam. Sim, é verdade que ele privatizou a Eletrobrás, a BR Distribuidora e a Refinaria Landulpho Alves, por exemplo. Ele também realizou uma nova reforma da previdência e concedeu autonomia ao Banco Central.

Mas Paulo Guedes foi sendo escanteado à medida que o Centrão emparedou Bolsonaro, sobretudo a partir da deflagração da pandemia da COVID-19. Aquela crise, que levou a mais de 700 mil mortes e ao empobrecimento em massa da população, poderia gerar uma revolta social contra o governo. Esse temor fez com que Bolsonaro, pensando também na sua reeleição, aplicasse medidas populistas que contradiziam a política econômica do início de seu governo.

O auxílio emergencial de seu governo foi maior do que a própria esquerda institucional havia proposto no Congresso, demonstrando o nível de rebaixamento das políticas defendidas pela esquerda brasileira. Ele ainda aumentou o Auxílio Brasil (que havia substituído o Bolsa Família) de R$400 para R$600 às vésperas das eleições.

Guedes criticou o “acordo político” do seu governo com o Congresso Nacional, que o deixou “bastante frustrado” com a lentidão das privatizações. A “classe política não deixava privatizar”, desabafou posteriormente. O Chicago Boy defendia a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil, mas Bolsonaro vetou publicamente essas medidas. Bolsonaro chegou mesmo a demitir o então presidente do BB por ter fechado agências do banco. Além disso, diversos funcionários do governo ligados a Guedes se rebelaram e saíram do governo porque a dependência do Centrão fez Bolsonaro furar o Teto de Gastos criado por Michel Temer.

É claro que Paulo Guedes não dizia isso por ter ideias próprias. Seus chefes no Banco Mundial, no FMI e em Wall Street passaram a atacar o abandono da política neoliberal na segunda metade do governo Bolsonaro. Armínio Fraga, Marcos Lisboa e Henrique Meirelles, porta-vozes dos banqueiros, criticaram Bolsonaro publicamente.

Essa falta de confiança na política econômica, somada à instabilidade política causada pelas bases bolsonaristas, levaram ao ostracismo de Jair Bolsonaro – e a toda a perseguição que ele sofre até hoje. Mas o bolsonarismo em si não foi derrotado.

Flávio Bolsonaro busca representar o legado de seu pai diante das massas bolsonaristas, que cresceram mais como oposição ao desastre do governo Lula e à ditadura do STF do que como fenômeno fascista, ao menos neste momento. No entanto, todos sabem que Flávio não tem o mesmo apelo popular do pai e é um político mais tradicional e moderado.

Essas características – que o aproximam de uma direita tradicional, a favorita dos banqueiros – fazem com que Flávio receba uma confiança maior do grande capital. Por outro lado, o grande capital quer ter certeza de que o filho se livrará da dependência de seu pai e da base de seu pai.

E Flávio tem se esforçado para mostrar aos banqueiros e ao capital imperialista que ele não tem nada a ver com a instabilidade econômica que marcou o governo do pai. Ele afirma que a política de Paulo Guedes prevalecerá.

Tanto é assim que tem em sua equipe econômica Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico, que é ligada a Paulo Guedes e foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro. Discute-se uma possível indicação para o Ministério da Fazenda, caso Flávio seja eleito.

Outros candidatos são Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, e Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse Brasil. Adolfo Sachsida, também ligado a Paulo Guedes, com formação acadêmica e docência nos EUA, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro e defensor das privatizações, é outro nome da equipe econômica da campanha de Flávio cotado para assumir um ministério da área.

O programa econômico que Flávio apresenta nestas eleições também é dirigido a agradar plenamente ao capital financeiro. Um dos pilares de seu programa é a retomada das privatizações, a maior abertura da economia nacional para a penetração total do capital imperialista, o enxugamento da máquina pública, o corte de gastos sociais e um forte ajuste fiscal. Ele ainda propõe o ingresso do Brasil na OCDE e uma nova ALCA que permitisse o livre comércio com os EUA.

Além disso, ele tem feito questão de se associar a Javier Milei. Visitou o presidente argentino e no mês seguinte o recebeu na convenção eleitoral do seu partido. Foi um claro aceno ao capital internacional. Não há dúvidas de que o capital imperialista gostaria que no Brasil governasse um presidente como Milei. Durante o próprio governo Lula os capitalistas estrangeiros começaram uma campanha a favor de um novo e mais forte ajuste fiscal, que o atual presidente não tem conseguido implementar. “O Brasil precisa de um ajuste fiscal que vá além de medidas pontuais”, escreveram em 2025 dois funcionários do Banco Mundial em um artigo publicado no jornal Valor Econômico intitulado “O ajuste que o Brasil não pode mais adiar”.

Mas para conseguir se eleger, um candidato não depende apenas do apoio dos capitalistas. As eleições no Brasil são uma fraude, quem as controla do começo ao fim é a classe dominante, como sempre aconteceu. Mas para conservar a fachada de democracia com a qual essa mesma classe dominante busca enganar a população, ela não pode reverter completamente a realidade. Um candidato apoiado nitidamente pela grande maioria dos eleitores não pode aparecer como derrotado da noite para o dia – por isso a burguesia rifou Lula em 2018 e Jair Bolsonaro em 2026 com antecedência.

E tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro têm dezenas de milhões de eleitores, ao contrário do restante dos candidatos que representam a classe dominante. Mas eles só têm esse apoio popular porque prometeram algo aos pobres. Lula, apesar de governar para os capitalistas, não pode abrir mão do básico de uma política de esquerda reformista. Mas mesmo Flávio não pode dar as costas para o eleitorado que herdou do pai, que está insatisfeito justamente com a política econômica capitalista de Lula e que acredita que o filho pode aliviar a situação financeira da população.

Para se eleger, é quase obrigatório fazer demagogia com os eleitores. Flávio Bolsonaro, portanto, nega que vá acabar com programas sociais como o Bolsa Família.

A grande questão é: se eleito, Flávio assumirá decididamente o compromisso que seu pai não conseguiu cumprir com o capital financeiro? Ou seja, aplicará integralmente a política que está prometendo aos banqueiros, o que exige inclusive trair algumas das promessas para seu eleitorado?

Os representantes do capital financeiro ainda não conseguiram solucionar esse enigma. Ele depende da correlação de forças entre as massas (sejam elas bolsonaristas ou lulistas, porque comportam a quase totalidade dos trabalhadores) e o poder do capital financeiro, o que condiciona também a própria relação do próximo governo com instituições como o Congresso Nacional dominado pelo Centrão, que é o rei do oportunismo e da vigarice.

Jair Bolsonaro tropeçou no medo de uma explosão social causada pela política de Paulo Guedes e na cautela do Centrão, que só faz o que um governo quer se esse governo conseguir comprá-lo. E para comprá-lo precisa-se gastar dinheiro público, que o capital financeiro também disputa. Esse é um dos grandes dilemas de qualquer governo, especialmente dos que se apresentam como radicais ou disruptivos. É um dilema também para os próprios controladores das eleições.

Se eleito, Flávio Bolsonaro dará aos banqueiros o que eles exigem?

Flávio Bolsonaro promete a banqueiros o que o pai não fez: privatizações, ajuste fiscal e entrada na OCDE. Mas terá que trair seu eleitorado.

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Mas Paulo Guedes foi sendo escanteado à medida que o Centrão emparedou Bolsonaro, sobretudo a partir da deflagração da pandemia da COVID-19. Aquela crise, que levou a mais de 700 mil mortes e ao empobrecimento em massa da população, poderia gerar uma revolta social contra o governo. Esse temor fez com que Bolsonaro, pensando também na sua reeleição, aplicasse medidas populistas que contradiziam a política econômica do início de seu governo.

O auxílio emergencial de seu governo foi maior do que a própria esquerda institucional havia proposto no Congresso, demonstrando o nível de rebaixamento das políticas defendidas pela esquerda brasileira. Ele ainda aumentou o Auxílio Brasil (que havia substituído o Bolsa Família) de R$400 para R$600 às vésperas das eleições.

Guedes criticou o “acordo político” do seu governo com o Congresso Nacional, que o deixou “bastante frustrado” com a lentidão das privatizações. A “classe política não deixava privatizar”, desabafou posteriormente. O Chicago Boy defendia a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil, mas Bolsonaro vetou publicamente essas medidas. Bolsonaro chegou mesmo a demitir o então presidente do BB por ter fechado agências do banco. Além disso, diversos funcionários do governo ligados a Guedes se rebelaram e saíram do governo porque a dependência do Centrão fez Bolsonaro furar o Teto de Gastos criado por Michel Temer.

É claro que Paulo Guedes não dizia isso por ter ideias próprias. Seus chefes no Banco Mundial, no FMI e em Wall Street passaram a atacar o abandono da política neoliberal na segunda metade do governo Bolsonaro. Armínio Fraga, Marcos Lisboa e Henrique Meirelles, porta-vozes dos banqueiros, criticaram Bolsonaro publicamente.

Essa falta de confiança na política econômica, somada à instabilidade política causada pelas bases bolsonaristas, levaram ao ostracismo de Jair Bolsonaro – e a toda a perseguição que ele sofre até hoje. Mas o bolsonarismo em si não foi derrotado.

Flávio Bolsonaro busca representar o legado de seu pai diante das massas bolsonaristas, que cresceram mais como oposição ao desastre do governo Lula e à ditadura do STF do que como fenômeno fascista, ao menos neste momento. No entanto, todos sabem que Flávio não tem o mesmo apelo popular do pai e é um político mais tradicional e moderado.

Essas características – que o aproximam de uma direita tradicional, a favorita dos banqueiros – fazem com que Flávio receba uma confiança maior do grande capital. Por outro lado, o grande capital quer ter certeza de que o filho se livrará da dependência de seu pai e da base de seu pai.

E Flávio tem se esforçado para mostrar aos banqueiros e ao capital imperialista que ele não tem nada a ver com a instabilidade econômica que marcou o governo do pai. Ele afirma que a política de Paulo Guedes prevalecerá.

Tanto é assim que tem em sua equipe econômica Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico, que é ligada a Paulo Guedes e foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro. Discute-se uma possível indicação para o Ministério da Fazenda, caso Flávio seja eleito.

Outros candidatos são Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, e Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse Brasil. Adolfo Sachsida, também ligado a Paulo Guedes, com formação acadêmica e docência nos EUA, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro e defensor das privatizações, é outro nome da equipe econômica da campanha de Flávio cotado para assumir um ministério da área.

O programa econômico que Flávio apresenta nestas eleições também é dirigido a agradar plenamente ao capital financeiro. Um dos pilares de seu programa é a retomada das privatizações, a maior abertura da economia nacional para a penetração total do capital imperialista, o enxugamento da máquina pública, o corte de gastos sociais e um forte ajuste fiscal. Ele ainda propõe o ingresso do Brasil na OCDE e uma nova ALCA que permitisse o livre comércio com os EUA.

Além disso, ele tem feito questão de se associar a Javier Milei. Visitou o presidente argentino e no mês seguinte o recebeu na convenção eleitoral do seu partido. Foi um claro aceno ao capital internacional. Não há dúvidas de que o capital imperialista gostaria que no Brasil governasse um presidente como Milei. Durante o próprio governo Lula os capitalistas estrangeiros começaram uma campanha a favor de um novo e mais forte ajuste fiscal, que o atual presidente não tem conseguido implementar. “O Brasil precisa de um ajuste fiscal que vá além de medidas pontuais”, escreveram em 2025 dois funcionários do Banco Mundial em um artigo publicado no jornal Valor Econômico intitulado “O ajuste que o Brasil não pode mais adiar”.

Mas para conseguir se eleger, um candidato não depende apenas do apoio dos capitalistas. As eleições no Brasil são uma fraude, quem as controla do começo ao fim é a classe dominante, como sempre aconteceu. Mas para conservar a fachada de democracia com a qual essa mesma classe dominante busca enganar a população, ela não pode reverter completamente a realidade. Um candidato apoiado nitidamente pela grande maioria dos eleitores não pode aparecer como derrotado da noite para o dia – por isso a burguesia rifou Lula em 2018 e Jair Bolsonaro em 2026 com antecedência.

E tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro têm dezenas de milhões de eleitores, ao contrário do restante dos candidatos que representam a classe dominante. Mas eles só têm esse apoio popular porque prometeram algo aos pobres. Lula, apesar de governar para os capitalistas, não pode abrir mão do básico de uma política de esquerda reformista. Mas mesmo Flávio não pode dar as costas para o eleitorado que herdou do pai, que está insatisfeito justamente com a política econômica capitalista de Lula e que acredita que o filho pode aliviar a situação financeira da população.

Para se eleger, é quase obrigatório fazer demagogia com os eleitores. Flávio Bolsonaro, portanto, nega que vá acabar com programas sociais como o Bolsa Família.

A grande questão é: se eleito, Flávio assumirá decididamente o compromisso que seu pai não conseguiu cumprir com o capital financeiro? Ou seja, aplicará integralmente a política que está prometendo aos banqueiros, o que exige inclusive trair algumas das promessas para seu eleitorado?

Os representantes do capital financeiro ainda não conseguiram solucionar esse enigma. Ele depende da correlação de forças entre as massas (sejam elas bolsonaristas ou lulistas, porque comportam a quase totalidade dos trabalhadores) e o poder do capital financeiro, o que condiciona também a própria relação do próximo governo com instituições como o Congresso Nacional dominado pelo Centrão, que é o rei do oportunismo e da vigarice.

Jair Bolsonaro tropeçou no medo de uma explosão social causada pela política de Paulo Guedes e na cautela do Centrão, que só faz o que um governo quer se esse governo conseguir comprá-lo. E para comprá-lo precisa-se gastar dinheiro público, que o capital financeiro também disputa. Esse é um dos grandes dilemas de qualquer governo, especialmente dos que se apresentam como radicais ou disruptivos. É um dilema também para os próprios controladores das eleições.

Flávio Bolsonaro promete a banqueiros o que o pai não fez: privatizações, ajuste fiscal e entrada na OCDE. Mas terá que trair seu eleitorado.

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Quando presidiu o Brasil, Jair Bolsonaro colocou em prática muito menos do que os banqueiros e parasitas financeiros que inseriram Paulo Guedes em seu governo imaginavam. Sim, é verdade que ele privatizou a Eletrobrás, a BR Distribuidora e a Refinaria Landulpho Alves, por exemplo. Ele também realizou uma nova reforma da previdência e concedeu autonomia ao Banco Central.

Mas Paulo Guedes foi sendo escanteado à medida que o Centrão emparedou Bolsonaro, sobretudo a partir da deflagração da pandemia da COVID-19. Aquela crise, que levou a mais de 700 mil mortes e ao empobrecimento em massa da população, poderia gerar uma revolta social contra o governo. Esse temor fez com que Bolsonaro, pensando também na sua reeleição, aplicasse medidas populistas que contradiziam a política econômica do início de seu governo.

O auxílio emergencial de seu governo foi maior do que a própria esquerda institucional havia proposto no Congresso, demonstrando o nível de rebaixamento das políticas defendidas pela esquerda brasileira. Ele ainda aumentou o Auxílio Brasil (que havia substituído o Bolsa Família) de R$400 para R$600 às vésperas das eleições.

Guedes criticou o “acordo político” do seu governo com o Congresso Nacional, que o deixou “bastante frustrado” com a lentidão das privatizações. A “classe política não deixava privatizar”, desabafou posteriormente. O Chicago Boy defendia a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil, mas Bolsonaro vetou publicamente essas medidas. Bolsonaro chegou mesmo a demitir o então presidente do BB por ter fechado agências do banco. Além disso, diversos funcionários do governo ligados a Guedes se rebelaram e saíram do governo porque a dependência do Centrão fez Bolsonaro furar o Teto de Gastos criado por Michel Temer.

É claro que Paulo Guedes não dizia isso por ter ideias próprias. Seus chefes no Banco Mundial, no FMI e em Wall Street passaram a atacar o abandono da política neoliberal na segunda metade do governo Bolsonaro. Armínio Fraga, Marcos Lisboa e Henrique Meirelles, porta-vozes dos banqueiros, criticaram Bolsonaro publicamente.

Essa falta de confiança na política econômica, somada à instabilidade política causada pelas bases bolsonaristas, levaram ao ostracismo de Jair Bolsonaro – e a toda a perseguição que ele sofre até hoje. Mas o bolsonarismo em si não foi derrotado.

Flávio Bolsonaro busca representar o legado de seu pai diante das massas bolsonaristas, que cresceram mais como oposição ao desastre do governo Lula e à ditadura do STF do que como fenômeno fascista, ao menos neste momento. No entanto, todos sabem que Flávio não tem o mesmo apelo popular do pai e é um político mais tradicional e moderado.

Essas características – que o aproximam de uma direita tradicional, a favorita dos banqueiros – fazem com que Flávio receba uma confiança maior do grande capital. Por outro lado, o grande capital quer ter certeza de que o filho se livrará da dependência de seu pai e da base de seu pai.

E Flávio tem se esforçado para mostrar aos banqueiros e ao capital imperialista que ele não tem nada a ver com a instabilidade econômica que marcou o governo do pai. Ele afirma que a política de Paulo Guedes prevalecerá.

Tanto é assim que tem em sua equipe econômica Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico, que é ligada a Paulo Guedes e foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro. Discute-se uma possível indicação para o Ministério da Fazenda, caso Flávio seja eleito.

Outros candidatos são Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, e Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse Brasil. Adolfo Sachsida, também ligado a Paulo Guedes, com formação acadêmica e docência nos EUA, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro e defensor das privatizações, é outro nome da equipe econômica da campanha de Flávio cotado para assumir um ministério da área.

O programa econômico que Flávio apresenta nestas eleições também é dirigido a agradar plenamente ao capital financeiro. Um dos pilares de seu programa é a retomada das privatizações, a maior abertura da economia nacional para a penetração total do capital imperialista, o enxugamento da máquina pública, o corte de gastos sociais e um forte ajuste fiscal. Ele ainda propõe o ingresso do Brasil na OCDE e uma nova ALCA que permitisse o livre comércio com os EUA.

Além disso, ele tem feito questão de se associar a Javier Milei. Visitou o presidente argentino e no mês seguinte o recebeu na convenção eleitoral do seu partido. Foi um claro aceno ao capital internacional. Não há dúvidas de que o capital imperialista gostaria que no Brasil governasse um presidente como Milei. Durante o próprio governo Lula os capitalistas estrangeiros começaram uma campanha a favor de um novo e mais forte ajuste fiscal, que o atual presidente não tem conseguido implementar. “O Brasil precisa de um ajuste fiscal que vá além de medidas pontuais”, escreveram em 2025 dois funcionários do Banco Mundial em um artigo publicado no jornal Valor Econômico intitulado “O ajuste que o Brasil não pode mais adiar”.

Mas para conseguir se eleger, um candidato não depende apenas do apoio dos capitalistas. As eleições no Brasil são uma fraude, quem as controla do começo ao fim é a classe dominante, como sempre aconteceu. Mas para conservar a fachada de democracia com a qual essa mesma classe dominante busca enganar a população, ela não pode reverter completamente a realidade. Um candidato apoiado nitidamente pela grande maioria dos eleitores não pode aparecer como derrotado da noite para o dia – por isso a burguesia rifou Lula em 2018 e Jair Bolsonaro em 2026 com antecedência.

E tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro têm dezenas de milhões de eleitores, ao contrário do restante dos candidatos que representam a classe dominante. Mas eles só têm esse apoio popular porque prometeram algo aos pobres. Lula, apesar de governar para os capitalistas, não pode abrir mão do básico de uma política de esquerda reformista. Mas mesmo Flávio não pode dar as costas para o eleitorado que herdou do pai, que está insatisfeito justamente com a política econômica capitalista de Lula e que acredita que o filho pode aliviar a situação financeira da população.

Para se eleger, é quase obrigatório fazer demagogia com os eleitores. Flávio Bolsonaro, portanto, nega que vá acabar com programas sociais como o Bolsa Família.

A grande questão é: se eleito, Flávio assumirá decididamente o compromisso que seu pai não conseguiu cumprir com o capital financeiro? Ou seja, aplicará integralmente a política que está prometendo aos banqueiros, o que exige inclusive trair algumas das promessas para seu eleitorado?

Os representantes do capital financeiro ainda não conseguiram solucionar esse enigma. Ele depende da correlação de forças entre as massas (sejam elas bolsonaristas ou lulistas, porque comportam a quase totalidade dos trabalhadores) e o poder do capital financeiro, o que condiciona também a própria relação do próximo governo com instituições como o Congresso Nacional dominado pelo Centrão, que é o rei do oportunismo e da vigarice.

Jair Bolsonaro tropeçou no medo de uma explosão social causada pela política de Paulo Guedes e na cautela do Centrão, que só faz o que um governo quer se esse governo conseguir comprá-lo. E para comprá-lo precisa-se gastar dinheiro público, que o capital financeiro também disputa. Esse é um dos grandes dilemas de qualquer governo, especialmente dos que se apresentam como radicais ou disruptivos. É um dilema também para os próprios controladores das eleições.

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