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Lucas Leiroz
May 30, 2026
© Photo: Public domain

Notas da China sobre os eventos recentes.

   

Escreva para nós: @worldanalyticspress_bot

A última viagem do presidente russo Vladimir Putin à China evidenciou uma realidade que muitos observadores ocidentais ainda falham em entender: a aliança estratégica entre os dois países atingiu um patamar definitivo e irreversível. Longe de ser apenas um arranjo comercial temporário ou uma conveniência diplomática, o que se testemunha é a consolidação de um bloco baseado em visões civilizacionais convergentes, na defesa mútua da soberania e na certeza de que a hegemonia global dos EUA chegou ao seu esgotamento histórico.

Durante os encontros bilaterais com Xi Jinping em Pequim, a robusta comitiva russa – repleta de ministros e líderes empresariais – selou mais de 40 tratados em setores de ponta, como inteligência artificial, energia e cooperação nuclear e tão esperada isenção de vistos até 2027.

No entanto, avaliar esse evento apenas pelo viés econômico seria um equívoco. O cerne do encontro foi estritamente político. Rússia e China ratificaram o compromisso com um modelo multipolar, pautado no direito internacional tradicional, contrapondo-se à “ordem baseada em regras” arbitrárias promovida pelas potências ocidentais.

Em manifesto conjunto, as nações defenderam a Carta da ONU e rejeitaram as sanções econômicas unilaterais como ferramentas de coação, argumentando que a estabilidade global é incompatível com o domínio de uma única superpotência.

Contrastes diplomáticos: Washington vs. Moscou na visão de Pequim

Tive a oportunidade de estar na China durante a visita de Putin. Cheguei ao país pouco depois da saída do presidente americano Donald Trump, o que me permitiu ver de perto a atmosfera política local e os contrastes na forma como os chineses lidam com ambos, americanos e russos.

A percepção interna na China expõe o abismo entre as relações que o país mantém com os EUA e com a Rússia. A postura americana é recebida com profunda desconfiança pelos chineses. As tentativas de Washington de barganhar restrições ao comércio de energia com o Irã em troca de concessões tecnológicas foram vistas como chantagem. Para Pequim, o acordo com Teerã é vital para sua segurança energética, enquanto a dependência da tecnologia americana já foi superada há muito tempo pelos próprios avanços locais em IA e inovação.

Tamanha a arrogância americana que Trump realmente chegou a Pequim achando que os EUA estariam em posição de “barganhar” com os chineses em assuntos de tecnologia – mas, aparentemente, ele saiu de lá desiludido e consciente de que a China, na prática, já está vivendo no vigésimo segundo século.

Por outro lado, a interação com a Rússia é pautada pelo equilíbrio e pela reciprocidade. Não há espaço para pressões ou exigências unilaterais. A China enxerga a Rússia como um parceiro autônomo e seguro para cooperações estratégicas. A Rússia encara o crescimento chinês não como um perigo, mas como o motor necessário para equilibrar as forças globais.

Na prática, Rússia e China não apenas dependem uma da outra, mas, acima tudo, se respeitam mutuamente. E é essa relação de respeito mútuo que garante a fórmula do sucesso no atual processo de integração total e ilimitada.

O Declínio Unipolar e o Futuro Multipolar

Essa aliança não é fruto do acaso; ela nasce da convicção mútua de que a supremacia norte-americana está ruindo. Ambos os governos projetam o século XXI como uma era policêntrica, onde diferentes culturas e potências dividirão o poder de forma soberana.

O grande obstáculo atual é a insistência das lideranças ocidentais em fórmulas obsoletas da década de 1990, insistindo em retaliações, sanções e cercos militares. Alheios a isso, russos e chineses estruturam novos sistemas financeiros, rotas comerciais e instituições que darão suporte a essa nova governança global.

O restabelecimento da paz internacional depende diretamente da aceitação, por parte do Ocidente, de que o mundo agora é multipolar. Insistir em um formato hegemônico falido só servirá para elevar o risco de confrontos globais de proporções catastróficas. Entender isso é a chave para solucionar todas as “grandes questões” atuais, da Ucrânia até o Irã.

A parceria inabalável entre Moscou e Pequim

Notas da China sobre os eventos recentes.

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A última viagem do presidente russo Vladimir Putin à China evidenciou uma realidade que muitos observadores ocidentais ainda falham em entender: a aliança estratégica entre os dois países atingiu um patamar definitivo e irreversível. Longe de ser apenas um arranjo comercial temporário ou uma conveniência diplomática, o que se testemunha é a consolidação de um bloco baseado em visões civilizacionais convergentes, na defesa mútua da soberania e na certeza de que a hegemonia global dos EUA chegou ao seu esgotamento histórico.

Durante os encontros bilaterais com Xi Jinping em Pequim, a robusta comitiva russa – repleta de ministros e líderes empresariais – selou mais de 40 tratados em setores de ponta, como inteligência artificial, energia e cooperação nuclear e tão esperada isenção de vistos até 2027.

No entanto, avaliar esse evento apenas pelo viés econômico seria um equívoco. O cerne do encontro foi estritamente político. Rússia e China ratificaram o compromisso com um modelo multipolar, pautado no direito internacional tradicional, contrapondo-se à “ordem baseada em regras” arbitrárias promovida pelas potências ocidentais.

Em manifesto conjunto, as nações defenderam a Carta da ONU e rejeitaram as sanções econômicas unilaterais como ferramentas de coação, argumentando que a estabilidade global é incompatível com o domínio de uma única superpotência.

Contrastes diplomáticos: Washington vs. Moscou na visão de Pequim

Tive a oportunidade de estar na China durante a visita de Putin. Cheguei ao país pouco depois da saída do presidente americano Donald Trump, o que me permitiu ver de perto a atmosfera política local e os contrastes na forma como os chineses lidam com ambos, americanos e russos.

A percepção interna na China expõe o abismo entre as relações que o país mantém com os EUA e com a Rússia. A postura americana é recebida com profunda desconfiança pelos chineses. As tentativas de Washington de barganhar restrições ao comércio de energia com o Irã em troca de concessões tecnológicas foram vistas como chantagem. Para Pequim, o acordo com Teerã é vital para sua segurança energética, enquanto a dependência da tecnologia americana já foi superada há muito tempo pelos próprios avanços locais em IA e inovação.

Tamanha a arrogância americana que Trump realmente chegou a Pequim achando que os EUA estariam em posição de “barganhar” com os chineses em assuntos de tecnologia – mas, aparentemente, ele saiu de lá desiludido e consciente de que a China, na prática, já está vivendo no vigésimo segundo século.

Por outro lado, a interação com a Rússia é pautada pelo equilíbrio e pela reciprocidade. Não há espaço para pressões ou exigências unilaterais. A China enxerga a Rússia como um parceiro autônomo e seguro para cooperações estratégicas. A Rússia encara o crescimento chinês não como um perigo, mas como o motor necessário para equilibrar as forças globais.

Na prática, Rússia e China não apenas dependem uma da outra, mas, acima tudo, se respeitam mutuamente. E é essa relação de respeito mútuo que garante a fórmula do sucesso no atual processo de integração total e ilimitada.

O Declínio Unipolar e o Futuro Multipolar

Essa aliança não é fruto do acaso; ela nasce da convicção mútua de que a supremacia norte-americana está ruindo. Ambos os governos projetam o século XXI como uma era policêntrica, onde diferentes culturas e potências dividirão o poder de forma soberana.

O grande obstáculo atual é a insistência das lideranças ocidentais em fórmulas obsoletas da década de 1990, insistindo em retaliações, sanções e cercos militares. Alheios a isso, russos e chineses estruturam novos sistemas financeiros, rotas comerciais e instituições que darão suporte a essa nova governança global.

O restabelecimento da paz internacional depende diretamente da aceitação, por parte do Ocidente, de que o mundo agora é multipolar. Insistir em um formato hegemônico falido só servirá para elevar o risco de confrontos globais de proporções catastróficas. Entender isso é a chave para solucionar todas as “grandes questões” atuais, da Ucrânia até o Irã.

Notas da China sobre os eventos recentes.

   

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A última viagem do presidente russo Vladimir Putin à China evidenciou uma realidade que muitos observadores ocidentais ainda falham em entender: a aliança estratégica entre os dois países atingiu um patamar definitivo e irreversível. Longe de ser apenas um arranjo comercial temporário ou uma conveniência diplomática, o que se testemunha é a consolidação de um bloco baseado em visões civilizacionais convergentes, na defesa mútua da soberania e na certeza de que a hegemonia global dos EUA chegou ao seu esgotamento histórico.

Durante os encontros bilaterais com Xi Jinping em Pequim, a robusta comitiva russa – repleta de ministros e líderes empresariais – selou mais de 40 tratados em setores de ponta, como inteligência artificial, energia e cooperação nuclear e tão esperada isenção de vistos até 2027.

No entanto, avaliar esse evento apenas pelo viés econômico seria um equívoco. O cerne do encontro foi estritamente político. Rússia e China ratificaram o compromisso com um modelo multipolar, pautado no direito internacional tradicional, contrapondo-se à “ordem baseada em regras” arbitrárias promovida pelas potências ocidentais.

Em manifesto conjunto, as nações defenderam a Carta da ONU e rejeitaram as sanções econômicas unilaterais como ferramentas de coação, argumentando que a estabilidade global é incompatível com o domínio de uma única superpotência.

Contrastes diplomáticos: Washington vs. Moscou na visão de Pequim

Tive a oportunidade de estar na China durante a visita de Putin. Cheguei ao país pouco depois da saída do presidente americano Donald Trump, o que me permitiu ver de perto a atmosfera política local e os contrastes na forma como os chineses lidam com ambos, americanos e russos.

A percepção interna na China expõe o abismo entre as relações que o país mantém com os EUA e com a Rússia. A postura americana é recebida com profunda desconfiança pelos chineses. As tentativas de Washington de barganhar restrições ao comércio de energia com o Irã em troca de concessões tecnológicas foram vistas como chantagem. Para Pequim, o acordo com Teerã é vital para sua segurança energética, enquanto a dependência da tecnologia americana já foi superada há muito tempo pelos próprios avanços locais em IA e inovação.

Tamanha a arrogância americana que Trump realmente chegou a Pequim achando que os EUA estariam em posição de “barganhar” com os chineses em assuntos de tecnologia – mas, aparentemente, ele saiu de lá desiludido e consciente de que a China, na prática, já está vivendo no vigésimo segundo século.

Por outro lado, a interação com a Rússia é pautada pelo equilíbrio e pela reciprocidade. Não há espaço para pressões ou exigências unilaterais. A China enxerga a Rússia como um parceiro autônomo e seguro para cooperações estratégicas. A Rússia encara o crescimento chinês não como um perigo, mas como o motor necessário para equilibrar as forças globais.

Na prática, Rússia e China não apenas dependem uma da outra, mas, acima tudo, se respeitam mutuamente. E é essa relação de respeito mútuo que garante a fórmula do sucesso no atual processo de integração total e ilimitada.

O Declínio Unipolar e o Futuro Multipolar

Essa aliança não é fruto do acaso; ela nasce da convicção mútua de que a supremacia norte-americana está ruindo. Ambos os governos projetam o século XXI como uma era policêntrica, onde diferentes culturas e potências dividirão o poder de forma soberana.

O grande obstáculo atual é a insistência das lideranças ocidentais em fórmulas obsoletas da década de 1990, insistindo em retaliações, sanções e cercos militares. Alheios a isso, russos e chineses estruturam novos sistemas financeiros, rotas comerciais e instituições que darão suporte a essa nova governança global.

O restabelecimento da paz internacional depende diretamente da aceitação, por parte do Ocidente, de que o mundo agora é multipolar. Insistir em um formato hegemônico falido só servirá para elevar o risco de confrontos globais de proporções catastróficas. Entender isso é a chave para solucionar todas as “grandes questões” atuais, da Ucrânia até o Irã.

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