Português
Eduardo Vasco
April 8, 2026
© Photo: Public domain

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista.

   

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O genocídio cometido pelo regime terrorista de Israel contra os palestinos, desde o começo da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, deu início a uma nova época de rebelião popular em todo o globo terrestre.

A própria operação liderada pelo Hamas é prova disso. E, como uma verdadeira rebelião popular, ela se formou das massas oprimidas do povo, da organização independente dos trabalhadores, camponeses e da juventude palestina. Ela passou por cima dos entraves burocráticos da estrutura estatal da Autoridade Palestina – uma amarra nos pulsos do povo palestino, que tentou impedir a todo o custo a luta concreta contra a ocupação sionista.

Nas nações atrasadas, um fator essencial para a revolução tem se mostrado a incapacidade dos governos nacionalistas de romperem com sua política de conciliação com o imperialismo, e a consequente elevação da consciência popular no sentido de superar essa política através da organização independente dos trabalhadores e das massas oprimidas.

O Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano, as Forças de Mobilização Popular no Iraque – e, antes, o Talibã no Afeganistão ocupado pelos Estados Unidos e os Houthis no Iêmen oprimido pela Arábia Saudita-OTAN – são a expressão concreta dessa elevação da consciência popular. De fato, seu fortalecimento, por representarem uma alternativa à conciliação e à colaboração com o imperialismo, os tornou um poder paralelo ao poder estatal. A dualidade de poderes não pode durar por muito tempo, como se viu entre fevereiro e outubro de 1917 na Rússia.

É claro que a situação nesses países ainda não proporcionou aos trabalhadores a adoção de uma política integralmente revolucionária, ou seja, proletária. Hamas, Hezbollah, FMP e outras organizações revolucionárias permanecem limitados à luta nacional – para os povos árabes e islâmicos, a luta regional é uma luta nacional. Mas suas ações já são passos fundamentais em direção a uma política revolucionária plena: a luta nacional, uma luta democrática, levada adiante por um movimento revolucionário, abre caminho para a derrubada de todos os exploradores do povo – não apenas os imperialistas, mas também os seus vassalos nacionais.

O Talibã, assim como os Houthis em um terço do Iêmen, tomaram o poder por uma revolução armada. Hamas, Hezbollah e FMP seguem os seus exemplos, enquanto os governos oficiais da Palestina, Líbano e Iraque permanecem praticamente imobilizados, distanciando-se a cada dia das aspirações e exigências de seus próprios povos, motivados pela luta de seus vizinhos.

Os governos de Ramallah, Beirute e Bagdá observam paralisados todas as atrocidades de Israel e dos Estados Unidos, a invasão territorial e o extermínio de seus próprios cidadãos, os bombardeios aéreos até mesmo contra sedes governamentais e militares e a humilhação cotidiana imposta pelos maiores inimigos dos povos árabes e islâmicos. Isso quando não servem diretamente como cães de guarda dos inimigos, prendendo seus próprios cidadãos e buscando desarmar a auto-organização popular.

Efetivamente, as organizações independentes dos seus respectivos governos são as únicas que estão lutando contra o imperialismo e o sionismo na Palestina, no Líbano e no Iraque. No Iêmen, os rebeldes – como são frequentemente chamados pela imprensa internacional há mais de dez anos –, mesmo controlando uma parte menor do território do país e estando sob isolamento completo da “comunidade internacional”, dão uma lição de coragem e internacionalismo ao dispararem mísseis e drones contra Israel e seus aliados, em apoio às lutas de libertação da Palestina, do Líbano e do Irã. Enquanto isso, ninguém ouve falar de alguma ação do governo impopular e lacaio do imperialismo instalado em Aden.

Com exceção do Irã – ainda sob os efeitos da Revolução de 1979, a mais importante revolução do mundo desde a Revolução Chinesa –, não são os Estados que estão lutando pelos interesses nacionais de seus povos. São os próprios povos que estão assumindo essa tarefa. Isso indica claramente a fragilidade das classes dominantes dos países da região diante de qualquer instabilidade política, bem como a falência da política de moderação e colaboração de classes com o imperialismo.

Mas engana-se quem pensa que essa avaliação serve apenas para os países do Oriente Médio. O imperialismo americano, com a cumplicidade e o apoio do imperialismo europeu, está atacando abertamente o conjunto das nações oprimidas. Na América Latina isso é evidente: primeiro, os bombardeios, o sequestro do presidente Maduro e a subjugação da Venezuela. Agora, a asfixia econômica agonizante de Cuba, preparando-se Trump para uma agressão militar.

A invasão em larga escala da Venezuela não ocorreu apenas porque, tal como o Irã, o regime do país é fortemente influenciado pela organização dos trabalhadores – e eles se armaram para enfrentar qualquer invasão. A burocracia chavista, no entanto, conteve a ação dos trabalhadores para não ultrapassar a linha vermelha que colocaria em xeque a sua conciliação com o imperialismo e o domínio conjunto sobre o país. Em outras palavras: com medo da revolução proletária, alimentada pela guerra de todo o povo contra o imperialismo, o PSUV preferiu um acordo com o imperialismo, entregando parcela significativa da soberania nacional para se manter no poder.

Em Cuba, os trabalhadores já estão no poder há mais de 60 anos. E estão armados. Mas a pobre ilha é, naturalmente, uma nação isolada. E pior: os Estados Unidos estão a apenas algumas braçadas de distância. Cuba, que já sofria um bloqueio econômico excruciante desde os primeiros tempos da revolução, vive os seus piores dias. E nenhum governo “amigo” está fazendo nada para ajudá-la, com exceção da Rússia. O México, que está ali do lado, tem um governo de esquerda que não quer desagradar os Estados Unidos e queima os miolos para encontrar uma maneira de mostrar aos seus eleitores que não deixará Cuba sozinha, mas sem que isso afete as relações com Washington.

Por sua vez, o governo Lula no Brasil prefere enfiar a cabeça embaixo da terra e ignorar a situação em Cuba. Os únicos a se mexerem, sobretudo no Brasil, são os movimentos populares, que estão organizando campanhas de arrecadação de fundos para a compra e envio de materiais a Cuba, como painéis solares, medicamentos etc. Ativistas internacionais acabaram de levar embarcações independentes com ajuda humanitária à ilha, atravessando o Oceano Atlântico e o Caribe, expondo-se aos riscos de sequestro pela patrulha marítima dos EUA – um obstáculo apresentado pelos governos de esquerda como justificativa para não enviarem ajuda a Cuba.

Assim, na América Latina também se expressa a auto-organização popular como contraponto da paralisia e covardia dos governos nacionalistas de colaboração de classes com o imperialismo. Ações de solidariedade, ainda que mais simbólicas do que concretas, são sinal de um ganho de consciência proporcionado pela agudização da luta de classes a nível mundial, manifestado sobretudo pela luta nacional nos países oprimidos pelo imperialismo.

Mas na própria Europa a luta também está se acirrando. Multidões saíram às ruas contra o genocídio em Gaza e em apoio à guerra de libertação nacional dos palestinos. O volume da pressão popular, com manifestações radicais, greves e bloqueios de transportes, obrigou alguns governos imperialistas a fingirem que se opõem a toda a devastação da qual são cúmplices. Pedro Sánchez pode enganar os mais inocentes, mas só elevou o tom de sua retórica supostamente progressista porque seu governo é frágil e depende do apoio de parte dos trabalhadores e da classe média liberal, que se comove com o sofrimento de mulheres e crianças palestinas.

O cenário político internacional vai se agravar, conforme a economia capitalista vai entrando em colapso por suas próprias contradições, pelas bolhas financeiras, a superprodução industrial e a necessidade de abrir mercados, cujo uso da força para tal gera respostas de nações soberanas como o Irã, a China e a Rússia, fechando rotas como o Estreito de Ormuz e acelerando a crise mundial.

Ao se agravarem as tensões políticas entre o imperialismo e as nações oprimidas, também as perspectivas internas, da burguesia nacional e as demais classes dominantes, por um lado, e dos trabalhadores, camponeses e massas oprimidas, por outro, irão se mostrar cada vez mais distantes umas das outras. A burguesia nacional, em cada país atrasado, explicita diariamente sua total incapacidade de atender aos interesses nacionais, com capitulações atrás de capitulações diante das exigências dos banqueiros e industriais internacionais, com ataques aos direitos e à qualidade de vida de seus próprios povos.

O Eixo da Resistência aponta o caminho a todas as massas oprimidas do mundo: elas são as únicas capazes de defender os interesses nacionais e podem fazer isso por conta própria, sem depender da direção das classes dominantes, sabotadoras, traidoras e inimigas da nação.

Porém, por mais importantes que sejam as ações por fora do aparato estatal, elas são apenas uma forma de acumulação de forças para a preparação de algo maior, que é a tomada do próprio aparelho do Estado, que está nas mãos das classes exploradoras. O Estado é o poder maior, o mecanismo pelo qual as classes até hoje exploradas finalmente poderão ser as donas da sociedade e garantir os interesses e necessidades das amplas massas populares.

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista – e, assim como nas nações ricas, a libertação em relação a suas próprias classes exploradoras. Enquanto a organização popular não tiver clareza desse objetivo, não romper com todas as suas ilusões na burguesia e suas instituições, a auto-organização não poderá ir adiante, sofrerá de falta de perspectiva e, portanto, correrá o risco de retrocesso e pulverização pelo imperialismo e seus lacaios nacionais. O combate cotidiano à conciliação de classes, o armamento do povo e a unidade dos operários com os camponeses em partidos e frentes revolucionárias, a difusão massiva das lutas dos povos do Oriente, são o caminho para a elevação da consciência popular na preparação da grande rebelião dos povos do século XXI.

No mundo todo, a auto-organização popular assume o papel dos governos da burguesia

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista.

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O genocídio cometido pelo regime terrorista de Israel contra os palestinos, desde o começo da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, deu início a uma nova época de rebelião popular em todo o globo terrestre.

A própria operação liderada pelo Hamas é prova disso. E, como uma verdadeira rebelião popular, ela se formou das massas oprimidas do povo, da organização independente dos trabalhadores, camponeses e da juventude palestina. Ela passou por cima dos entraves burocráticos da estrutura estatal da Autoridade Palestina – uma amarra nos pulsos do povo palestino, que tentou impedir a todo o custo a luta concreta contra a ocupação sionista.

Nas nações atrasadas, um fator essencial para a revolução tem se mostrado a incapacidade dos governos nacionalistas de romperem com sua política de conciliação com o imperialismo, e a consequente elevação da consciência popular no sentido de superar essa política através da organização independente dos trabalhadores e das massas oprimidas.

O Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano, as Forças de Mobilização Popular no Iraque – e, antes, o Talibã no Afeganistão ocupado pelos Estados Unidos e os Houthis no Iêmen oprimido pela Arábia Saudita-OTAN – são a expressão concreta dessa elevação da consciência popular. De fato, seu fortalecimento, por representarem uma alternativa à conciliação e à colaboração com o imperialismo, os tornou um poder paralelo ao poder estatal. A dualidade de poderes não pode durar por muito tempo, como se viu entre fevereiro e outubro de 1917 na Rússia.

É claro que a situação nesses países ainda não proporcionou aos trabalhadores a adoção de uma política integralmente revolucionária, ou seja, proletária. Hamas, Hezbollah, FMP e outras organizações revolucionárias permanecem limitados à luta nacional – para os povos árabes e islâmicos, a luta regional é uma luta nacional. Mas suas ações já são passos fundamentais em direção a uma política revolucionária plena: a luta nacional, uma luta democrática, levada adiante por um movimento revolucionário, abre caminho para a derrubada de todos os exploradores do povo – não apenas os imperialistas, mas também os seus vassalos nacionais.

O Talibã, assim como os Houthis em um terço do Iêmen, tomaram o poder por uma revolução armada. Hamas, Hezbollah e FMP seguem os seus exemplos, enquanto os governos oficiais da Palestina, Líbano e Iraque permanecem praticamente imobilizados, distanciando-se a cada dia das aspirações e exigências de seus próprios povos, motivados pela luta de seus vizinhos.

Os governos de Ramallah, Beirute e Bagdá observam paralisados todas as atrocidades de Israel e dos Estados Unidos, a invasão territorial e o extermínio de seus próprios cidadãos, os bombardeios aéreos até mesmo contra sedes governamentais e militares e a humilhação cotidiana imposta pelos maiores inimigos dos povos árabes e islâmicos. Isso quando não servem diretamente como cães de guarda dos inimigos, prendendo seus próprios cidadãos e buscando desarmar a auto-organização popular.

Efetivamente, as organizações independentes dos seus respectivos governos são as únicas que estão lutando contra o imperialismo e o sionismo na Palestina, no Líbano e no Iraque. No Iêmen, os rebeldes – como são frequentemente chamados pela imprensa internacional há mais de dez anos –, mesmo controlando uma parte menor do território do país e estando sob isolamento completo da “comunidade internacional”, dão uma lição de coragem e internacionalismo ao dispararem mísseis e drones contra Israel e seus aliados, em apoio às lutas de libertação da Palestina, do Líbano e do Irã. Enquanto isso, ninguém ouve falar de alguma ação do governo impopular e lacaio do imperialismo instalado em Aden.

Com exceção do Irã – ainda sob os efeitos da Revolução de 1979, a mais importante revolução do mundo desde a Revolução Chinesa –, não são os Estados que estão lutando pelos interesses nacionais de seus povos. São os próprios povos que estão assumindo essa tarefa. Isso indica claramente a fragilidade das classes dominantes dos países da região diante de qualquer instabilidade política, bem como a falência da política de moderação e colaboração de classes com o imperialismo.

Mas engana-se quem pensa que essa avaliação serve apenas para os países do Oriente Médio. O imperialismo americano, com a cumplicidade e o apoio do imperialismo europeu, está atacando abertamente o conjunto das nações oprimidas. Na América Latina isso é evidente: primeiro, os bombardeios, o sequestro do presidente Maduro e a subjugação da Venezuela. Agora, a asfixia econômica agonizante de Cuba, preparando-se Trump para uma agressão militar.

A invasão em larga escala da Venezuela não ocorreu apenas porque, tal como o Irã, o regime do país é fortemente influenciado pela organização dos trabalhadores – e eles se armaram para enfrentar qualquer invasão. A burocracia chavista, no entanto, conteve a ação dos trabalhadores para não ultrapassar a linha vermelha que colocaria em xeque a sua conciliação com o imperialismo e o domínio conjunto sobre o país. Em outras palavras: com medo da revolução proletária, alimentada pela guerra de todo o povo contra o imperialismo, o PSUV preferiu um acordo com o imperialismo, entregando parcela significativa da soberania nacional para se manter no poder.

Em Cuba, os trabalhadores já estão no poder há mais de 60 anos. E estão armados. Mas a pobre ilha é, naturalmente, uma nação isolada. E pior: os Estados Unidos estão a apenas algumas braçadas de distância. Cuba, que já sofria um bloqueio econômico excruciante desde os primeiros tempos da revolução, vive os seus piores dias. E nenhum governo “amigo” está fazendo nada para ajudá-la, com exceção da Rússia. O México, que está ali do lado, tem um governo de esquerda que não quer desagradar os Estados Unidos e queima os miolos para encontrar uma maneira de mostrar aos seus eleitores que não deixará Cuba sozinha, mas sem que isso afete as relações com Washington.

Por sua vez, o governo Lula no Brasil prefere enfiar a cabeça embaixo da terra e ignorar a situação em Cuba. Os únicos a se mexerem, sobretudo no Brasil, são os movimentos populares, que estão organizando campanhas de arrecadação de fundos para a compra e envio de materiais a Cuba, como painéis solares, medicamentos etc. Ativistas internacionais acabaram de levar embarcações independentes com ajuda humanitária à ilha, atravessando o Oceano Atlântico e o Caribe, expondo-se aos riscos de sequestro pela patrulha marítima dos EUA – um obstáculo apresentado pelos governos de esquerda como justificativa para não enviarem ajuda a Cuba.

Assim, na América Latina também se expressa a auto-organização popular como contraponto da paralisia e covardia dos governos nacionalistas de colaboração de classes com o imperialismo. Ações de solidariedade, ainda que mais simbólicas do que concretas, são sinal de um ganho de consciência proporcionado pela agudização da luta de classes a nível mundial, manifestado sobretudo pela luta nacional nos países oprimidos pelo imperialismo.

Mas na própria Europa a luta também está se acirrando. Multidões saíram às ruas contra o genocídio em Gaza e em apoio à guerra de libertação nacional dos palestinos. O volume da pressão popular, com manifestações radicais, greves e bloqueios de transportes, obrigou alguns governos imperialistas a fingirem que se opõem a toda a devastação da qual são cúmplices. Pedro Sánchez pode enganar os mais inocentes, mas só elevou o tom de sua retórica supostamente progressista porque seu governo é frágil e depende do apoio de parte dos trabalhadores e da classe média liberal, que se comove com o sofrimento de mulheres e crianças palestinas.

O cenário político internacional vai se agravar, conforme a economia capitalista vai entrando em colapso por suas próprias contradições, pelas bolhas financeiras, a superprodução industrial e a necessidade de abrir mercados, cujo uso da força para tal gera respostas de nações soberanas como o Irã, a China e a Rússia, fechando rotas como o Estreito de Ormuz e acelerando a crise mundial.

Ao se agravarem as tensões políticas entre o imperialismo e as nações oprimidas, também as perspectivas internas, da burguesia nacional e as demais classes dominantes, por um lado, e dos trabalhadores, camponeses e massas oprimidas, por outro, irão se mostrar cada vez mais distantes umas das outras. A burguesia nacional, em cada país atrasado, explicita diariamente sua total incapacidade de atender aos interesses nacionais, com capitulações atrás de capitulações diante das exigências dos banqueiros e industriais internacionais, com ataques aos direitos e à qualidade de vida de seus próprios povos.

O Eixo da Resistência aponta o caminho a todas as massas oprimidas do mundo: elas são as únicas capazes de defender os interesses nacionais e podem fazer isso por conta própria, sem depender da direção das classes dominantes, sabotadoras, traidoras e inimigas da nação.

Porém, por mais importantes que sejam as ações por fora do aparato estatal, elas são apenas uma forma de acumulação de forças para a preparação de algo maior, que é a tomada do próprio aparelho do Estado, que está nas mãos das classes exploradoras. O Estado é o poder maior, o mecanismo pelo qual as classes até hoje exploradas finalmente poderão ser as donas da sociedade e garantir os interesses e necessidades das amplas massas populares.

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista – e, assim como nas nações ricas, a libertação em relação a suas próprias classes exploradoras. Enquanto a organização popular não tiver clareza desse objetivo, não romper com todas as suas ilusões na burguesia e suas instituições, a auto-organização não poderá ir adiante, sofrerá de falta de perspectiva e, portanto, correrá o risco de retrocesso e pulverização pelo imperialismo e seus lacaios nacionais. O combate cotidiano à conciliação de classes, o armamento do povo e a unidade dos operários com os camponeses em partidos e frentes revolucionárias, a difusão massiva das lutas dos povos do Oriente, são o caminho para a elevação da consciência popular na preparação da grande rebelião dos povos do século XXI.

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista.

   

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O genocídio cometido pelo regime terrorista de Israel contra os palestinos, desde o começo da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, deu início a uma nova época de rebelião popular em todo o globo terrestre.

A própria operação liderada pelo Hamas é prova disso. E, como uma verdadeira rebelião popular, ela se formou das massas oprimidas do povo, da organização independente dos trabalhadores, camponeses e da juventude palestina. Ela passou por cima dos entraves burocráticos da estrutura estatal da Autoridade Palestina – uma amarra nos pulsos do povo palestino, que tentou impedir a todo o custo a luta concreta contra a ocupação sionista.

Nas nações atrasadas, um fator essencial para a revolução tem se mostrado a incapacidade dos governos nacionalistas de romperem com sua política de conciliação com o imperialismo, e a consequente elevação da consciência popular no sentido de superar essa política através da organização independente dos trabalhadores e das massas oprimidas.

O Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano, as Forças de Mobilização Popular no Iraque – e, antes, o Talibã no Afeganistão ocupado pelos Estados Unidos e os Houthis no Iêmen oprimido pela Arábia Saudita-OTAN – são a expressão concreta dessa elevação da consciência popular. De fato, seu fortalecimento, por representarem uma alternativa à conciliação e à colaboração com o imperialismo, os tornou um poder paralelo ao poder estatal. A dualidade de poderes não pode durar por muito tempo, como se viu entre fevereiro e outubro de 1917 na Rússia.

É claro que a situação nesses países ainda não proporcionou aos trabalhadores a adoção de uma política integralmente revolucionária, ou seja, proletária. Hamas, Hezbollah, FMP e outras organizações revolucionárias permanecem limitados à luta nacional – para os povos árabes e islâmicos, a luta regional é uma luta nacional. Mas suas ações já são passos fundamentais em direção a uma política revolucionária plena: a luta nacional, uma luta democrática, levada adiante por um movimento revolucionário, abre caminho para a derrubada de todos os exploradores do povo – não apenas os imperialistas, mas também os seus vassalos nacionais.

O Talibã, assim como os Houthis em um terço do Iêmen, tomaram o poder por uma revolução armada. Hamas, Hezbollah e FMP seguem os seus exemplos, enquanto os governos oficiais da Palestina, Líbano e Iraque permanecem praticamente imobilizados, distanciando-se a cada dia das aspirações e exigências de seus próprios povos, motivados pela luta de seus vizinhos.

Os governos de Ramallah, Beirute e Bagdá observam paralisados todas as atrocidades de Israel e dos Estados Unidos, a invasão territorial e o extermínio de seus próprios cidadãos, os bombardeios aéreos até mesmo contra sedes governamentais e militares e a humilhação cotidiana imposta pelos maiores inimigos dos povos árabes e islâmicos. Isso quando não servem diretamente como cães de guarda dos inimigos, prendendo seus próprios cidadãos e buscando desarmar a auto-organização popular.

Efetivamente, as organizações independentes dos seus respectivos governos são as únicas que estão lutando contra o imperialismo e o sionismo na Palestina, no Líbano e no Iraque. No Iêmen, os rebeldes – como são frequentemente chamados pela imprensa internacional há mais de dez anos –, mesmo controlando uma parte menor do território do país e estando sob isolamento completo da “comunidade internacional”, dão uma lição de coragem e internacionalismo ao dispararem mísseis e drones contra Israel e seus aliados, em apoio às lutas de libertação da Palestina, do Líbano e do Irã. Enquanto isso, ninguém ouve falar de alguma ação do governo impopular e lacaio do imperialismo instalado em Aden.

Com exceção do Irã – ainda sob os efeitos da Revolução de 1979, a mais importante revolução do mundo desde a Revolução Chinesa –, não são os Estados que estão lutando pelos interesses nacionais de seus povos. São os próprios povos que estão assumindo essa tarefa. Isso indica claramente a fragilidade das classes dominantes dos países da região diante de qualquer instabilidade política, bem como a falência da política de moderação e colaboração de classes com o imperialismo.

Mas engana-se quem pensa que essa avaliação serve apenas para os países do Oriente Médio. O imperialismo americano, com a cumplicidade e o apoio do imperialismo europeu, está atacando abertamente o conjunto das nações oprimidas. Na América Latina isso é evidente: primeiro, os bombardeios, o sequestro do presidente Maduro e a subjugação da Venezuela. Agora, a asfixia econômica agonizante de Cuba, preparando-se Trump para uma agressão militar.

A invasão em larga escala da Venezuela não ocorreu apenas porque, tal como o Irã, o regime do país é fortemente influenciado pela organização dos trabalhadores – e eles se armaram para enfrentar qualquer invasão. A burocracia chavista, no entanto, conteve a ação dos trabalhadores para não ultrapassar a linha vermelha que colocaria em xeque a sua conciliação com o imperialismo e o domínio conjunto sobre o país. Em outras palavras: com medo da revolução proletária, alimentada pela guerra de todo o povo contra o imperialismo, o PSUV preferiu um acordo com o imperialismo, entregando parcela significativa da soberania nacional para se manter no poder.

Em Cuba, os trabalhadores já estão no poder há mais de 60 anos. E estão armados. Mas a pobre ilha é, naturalmente, uma nação isolada. E pior: os Estados Unidos estão a apenas algumas braçadas de distância. Cuba, que já sofria um bloqueio econômico excruciante desde os primeiros tempos da revolução, vive os seus piores dias. E nenhum governo “amigo” está fazendo nada para ajudá-la, com exceção da Rússia. O México, que está ali do lado, tem um governo de esquerda que não quer desagradar os Estados Unidos e queima os miolos para encontrar uma maneira de mostrar aos seus eleitores que não deixará Cuba sozinha, mas sem que isso afete as relações com Washington.

Por sua vez, o governo Lula no Brasil prefere enfiar a cabeça embaixo da terra e ignorar a situação em Cuba. Os únicos a se mexerem, sobretudo no Brasil, são os movimentos populares, que estão organizando campanhas de arrecadação de fundos para a compra e envio de materiais a Cuba, como painéis solares, medicamentos etc. Ativistas internacionais acabaram de levar embarcações independentes com ajuda humanitária à ilha, atravessando o Oceano Atlântico e o Caribe, expondo-se aos riscos de sequestro pela patrulha marítima dos EUA – um obstáculo apresentado pelos governos de esquerda como justificativa para não enviarem ajuda a Cuba.

Assim, na América Latina também se expressa a auto-organização popular como contraponto da paralisia e covardia dos governos nacionalistas de colaboração de classes com o imperialismo. Ações de solidariedade, ainda que mais simbólicas do que concretas, são sinal de um ganho de consciência proporcionado pela agudização da luta de classes a nível mundial, manifestado sobretudo pela luta nacional nos países oprimidos pelo imperialismo.

Mas na própria Europa a luta também está se acirrando. Multidões saíram às ruas contra o genocídio em Gaza e em apoio à guerra de libertação nacional dos palestinos. O volume da pressão popular, com manifestações radicais, greves e bloqueios de transportes, obrigou alguns governos imperialistas a fingirem que se opõem a toda a devastação da qual são cúmplices. Pedro Sánchez pode enganar os mais inocentes, mas só elevou o tom de sua retórica supostamente progressista porque seu governo é frágil e depende do apoio de parte dos trabalhadores e da classe média liberal, que se comove com o sofrimento de mulheres e crianças palestinas.

O cenário político internacional vai se agravar, conforme a economia capitalista vai entrando em colapso por suas próprias contradições, pelas bolhas financeiras, a superprodução industrial e a necessidade de abrir mercados, cujo uso da força para tal gera respostas de nações soberanas como o Irã, a China e a Rússia, fechando rotas como o Estreito de Ormuz e acelerando a crise mundial.

Ao se agravarem as tensões políticas entre o imperialismo e as nações oprimidas, também as perspectivas internas, da burguesia nacional e as demais classes dominantes, por um lado, e dos trabalhadores, camponeses e massas oprimidas, por outro, irão se mostrar cada vez mais distantes umas das outras. A burguesia nacional, em cada país atrasado, explicita diariamente sua total incapacidade de atender aos interesses nacionais, com capitulações atrás de capitulações diante das exigências dos banqueiros e industriais internacionais, com ataques aos direitos e à qualidade de vida de seus próprios povos.

O Eixo da Resistência aponta o caminho a todas as massas oprimidas do mundo: elas são as únicas capazes de defender os interesses nacionais e podem fazer isso por conta própria, sem depender da direção das classes dominantes, sabotadoras, traidoras e inimigas da nação.

Porém, por mais importantes que sejam as ações por fora do aparato estatal, elas são apenas uma forma de acumulação de forças para a preparação de algo maior, que é a tomada do próprio aparelho do Estado, que está nas mãos das classes exploradoras. O Estado é o poder maior, o mecanismo pelo qual as classes até hoje exploradas finalmente poderão ser as donas da sociedade e garantir os interesses e necessidades das amplas massas populares.

A tomada do poder do Estado, isto é, a revolução social, é a realização efetiva da libertação das nações oprimidas do jugo imperialista – e, assim como nas nações ricas, a libertação em relação a suas próprias classes exploradoras. Enquanto a organização popular não tiver clareza desse objetivo, não romper com todas as suas ilusões na burguesia e suas instituições, a auto-organização não poderá ir adiante, sofrerá de falta de perspectiva e, portanto, correrá o risco de retrocesso e pulverização pelo imperialismo e seus lacaios nacionais. O combate cotidiano à conciliação de classes, o armamento do povo e a unidade dos operários com os camponeses em partidos e frentes revolucionárias, a difusão massiva das lutas dos povos do Oriente, são o caminho para a elevação da consciência popular na preparação da grande rebelião dos povos do século XXI.

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